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quarta-feira, 6 de junho de 2012

Uma história sobre consciência

Hoje à tarde, depois de umas quantas birras, explosões e um castigo, o Sandro veio ter comigo à cozinha.

Pediu-me desculpa, e alguns minutos depois acrescentou:

"Mãe, eu posso tomar o meu comprimido?"

"Tomar o comprimido? Para quê?..." - às vezes toma meio Rubifen para ir à aula de piano ou de música, mas hoje já tinha faltado.
E então responde-me:




"Para eu não te estar aqui só a chatear"  *_*

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Lista de ingredientes para um mundo melhor: 1. Amor

O mundo, não poderá ser melhor enquanto não o for para as crianças.

Para isso não há fórmulas mágicas, poções milagrosas, equações matemáticas. Só uma palavra, Amor. Lamento não usar palavras mais floreadas, expressões mais elaboradas, seriam inúteis. E não mais claras.
Amor incondicional, amor desinteressado, amor. Muito amor, nos momentos bons e nos momentos de birras. Quando dormimos bem e quando não pregamos olho. Quando nos apetece abraçar o mundo e quando o que apetece é mandar todos à fava e dar pontapés em tudo o que se nos mete no caminho.

Eles precisam de que nós estejamos sempre lá. Firmes e constantes. Somos as suas paredes, o teu tecto e o seu chão.

Queremos que sejam inteligentes, por isso tentamos que aprendam depressa a ler, escrever, fazer contas, tentamos ensinar o alfabeto mesmo antes de aprenderem a falar. Queremos que sejam fortes e cresçam depressa, que sejam os maiores, os que nadam melhor, tentamos ensiná-los a andar antes de aprenderem a gatinhar.

Queremos que sejam felizes, os mais bem sucedidos, queremos ensiná-los a atingir objetivos antes de aprenderem a amar. Antes de os ensinarmos, pelo exemplo, a amar de forma incondicional.

Sejam paredes, mas sejam também tecto e chão, almofada e manta. Sem medo de estragar.


quarta-feira, 21 de março de 2012

"O menino não ouve bem"

Quando o S. tinha três anos, fomos chamados pela directora do Semi-internato onde ele andava. Disse-nos que ele parecia não ouvir bem. Que, muitas vezes, quando chamado, não respondia, nem dava qualquer sinal de ter ouvido o seu nome. Continuava, em vez disso, distraído com qualquer minúcia das que o atraem, como uma fechadura, uma ventoínha.

Falámos com a pediatra, apesar da certeza de que os ouvidos do pequeno estavam a cem por cento. E estavam mesmo. Depois de algumas viagens a Évora - mais algumas, além das consultas de estrabismo onde é seguido desde os oito meses - e de alguns exames, ficámos a saber sem surpresas que o S. ouvia perfeitamente.

Este foi um dos "sinais" que nos foram dados, e que nós não soubémos, na altura, interpretar. De facto, depois de termos o diagnóstico, e note-se o longo caminho que há que percorrer até chegar aqui, conseguimos identificar muitos "sinais" que nos foram chegando, por parte das educadoras. O problema da subtileza utilizada para falar com os pais, muitas vezes, é deixar demasiado em aberto aquilo de que se suspeita, aliado ao facto de que a criança normalmente não se comportar em casa, num ambiente familiar, da mesma forma que na escola/ jardim de infância.

A título de apelo, para aqueles que estão em contacto com as crianças diariamente em ambiente escolar, sugiro que não tenham medo de dizer aos pais/encarregados de educação aquilo de que suspeitam, tratando "as coisas pelos nomes". Tenho a a certeza de que esta atitude pode ajudar a identificar e diagnosticar correctamente e de forma precoce muitas dificuldades, ajudando a que estas sejam superadas desde mais cedo. Obrigada.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Confiar nas pessoas

Dizia-me no outro dia uma das pessoas mais queridas, que nunca mais voltaria a cometer o mesmo erro: confiar nas pessoas.

Lembro-me de lhe ter perguntado, a certa altura durante a conversa, se se sentia mal com a situação, a de ter confiado, e de me ter respondido que sim, claro. Sentia-se obviamente mal porque se sentia enganado. Mas não era essa a minha questão. Reformulei-a, pretendia saber se o facto de ter confiado, independentemente do uso que tivessem feito dessa confiança, o fazia sentir-se mal.

Depois de uma breve troca de frases, concluí, ou concluiu, que o que o fazia sentir-se mal era o feedback, ou seja, a resposta que teve como consequência, mas que no fundo a atitude de demonstrar confiança lhe deixava uma sensação de dever cumprido, de consciência tranquila.




O caminho é esse, ou pelo menos o caminho em que eu acredito: demonstrar confiança, e por outro lado, demonstrar que se pode confiar. Fico feliz por pensar que todos nós sabemos no fundo o caminho a seguir. Só falta termos vontade de o fazer. E não desistir cada vez que quebram a nossa confiança. É que, penso eu, há pessoas que têm de percorrer um caminho mais longo do que outras.