Por mais vezes que tropeces, não desistas. Por mais alta que seja a montanha, não desistas. Por mais que os outros percam a fé em ti, não desistas.
Os teus sonhos não importam para mais ninguém, portanto NÃO DESISTAS!
(É que por vezes precisava que alguém mo relembrasse. Porque é humano sentir-se tentado a baixar os braços de vez em quando...)
Por acreditar que é possível e que está nas mãos de todos nós. Porque enquanto não acreditarmos, nunca vai acontecer. Porque partilhar experiências é partilhar conhecimentos. Porque partilhar as alegrias transmite alegria, e partilhar as desventuras... bem, alivía quem se queixa. E também pode transmitir esperança. Aqui fala-se de tudo o que me diz respeito, pelo menos um pouco. De coisas de pais, de filhos, de autismo, de lições de vida, de lições da escola.
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quinta-feira, 14 de junho de 2012
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Ter tempo
Tendo três filhos, sendo a mais nova bebé (que ainda amamento) e um emprego a tempo inteiro, não é raro perguntarem-me como é que tenho tempo para escrever em vários blogues, ler, costurar, fazer tricô, bolos decorados e ainda arranjar as unhas.
Calma, não se vão já embora, não pretendo ensinar ninguém a gerir o seu tempo ou a definir as suas prioridades... ooops! Pois é, é essa a resposta.
Não tenho obviamente mais tempo que as outras pessoas, e não faço as coisas em modo acelerado para conseguir chegar a tudo. Nem tenho a casa perfeitamente arrumada NUNCA. Não costumo fazer a cama. E há dias em que só me apetece deitar-me até ao dia seguinte ou então fugir para uma ilha deserta.
Não costumo ver televisão. Passo dias seguidos sem olhar para ela. Para passar o tempo prefiro olhar para os meus filhos. Não faço visitas por obrigação. Não fico à espera que as coisas aconteçam.
Esqueço-me facilmente de coisas menos importantes (e por vezes as importantes ficam coladas e também vão para o lixo).
Não tenho obviamente mais tempo que as outras pessoas, e não faço as coisas em modo acelerado para conseguir chegar a tudo. Nem tenho a casa perfeitamente arrumada NUNCA. Não costumo fazer a cama. E há dias em que só me apetece deitar-me até ao dia seguinte ou então fugir para uma ilha deserta.
Não costumo ver televisão. Passo dias seguidos sem olhar para ela. Para passar o tempo prefiro olhar para os meus filhos. Não faço visitas por obrigação. Não fico à espera que as coisas aconteçam.
Esqueço-me facilmente de coisas menos importantes (e por vezes as importantes ficam coladas e também vão para o lixo).
Quase tudo o que faço, faço-o porque gosto ou porque quero. (Mas querer mesmo, como querer levar os miúdos às actividades, por exemplo). Faço listas de tudo o que tenho para fazer todos os dias. Nunca as acabo de riscar.
Como várias vezes ao dia e tomo sempre o pequeno almoço. Não fumo ou bebo, e por vezes durmo pequenas sestas. O café é um dos meus melhores amigos. E o pior inimigo a preguiça.
Não perco tempo a falar ou pensar na vida dos outros. Nem para a minha tenho tempo que chegue!
De certeza que me estou a esquecer de alguma coisa.
Como várias vezes ao dia e tomo sempre o pequeno almoço. Não fumo ou bebo, e por vezes durmo pequenas sestas. O café é um dos meus melhores amigos. E o pior inimigo a preguiça.
Não perco tempo a falar ou pensar na vida dos outros. Nem para a minha tenho tempo que chegue!
De certeza que me estou a esquecer de alguma coisa.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Confiar nas pessoas
Dizia-me no outro dia uma das pessoas mais queridas, que nunca mais voltaria a cometer o mesmo erro: confiar nas pessoas.
Lembro-me de lhe ter perguntado, a certa altura durante a conversa, se se sentia mal com a situação, a de ter confiado, e de me ter respondido que sim, claro. Sentia-se obviamente mal porque se sentia enganado. Mas não era essa a minha questão. Reformulei-a, pretendia saber se o facto de ter confiado, independentemente do uso que tivessem feito dessa confiança, o fazia sentir-se mal.
Depois de uma breve troca de frases, concluí, ou concluiu, que o que o fazia sentir-se mal era o feedback, ou seja, a resposta que teve como consequência, mas que no fundo a atitude de demonstrar confiança lhe deixava uma sensação de dever cumprido, de consciência tranquila.
O caminho é esse, ou pelo menos o caminho em que eu acredito: demonstrar confiança, e por outro lado, demonstrar que se pode confiar. Fico feliz por pensar que todos nós sabemos no fundo o caminho a seguir. Só falta termos vontade de o fazer. E não desistir cada vez que quebram a nossa confiança. É que, penso eu, há pessoas que têm de percorrer um caminho mais longo do que outras.
Lembro-me de lhe ter perguntado, a certa altura durante a conversa, se se sentia mal com a situação, a de ter confiado, e de me ter respondido que sim, claro. Sentia-se obviamente mal porque se sentia enganado. Mas não era essa a minha questão. Reformulei-a, pretendia saber se o facto de ter confiado, independentemente do uso que tivessem feito dessa confiança, o fazia sentir-se mal.
Depois de uma breve troca de frases, concluí, ou concluiu, que o que o fazia sentir-se mal era o feedback, ou seja, a resposta que teve como consequência, mas que no fundo a atitude de demonstrar confiança lhe deixava uma sensação de dever cumprido, de consciência tranquila.
O caminho é esse, ou pelo menos o caminho em que eu acredito: demonstrar confiança, e por outro lado, demonstrar que se pode confiar. Fico feliz por pensar que todos nós sabemos no fundo o caminho a seguir. Só falta termos vontade de o fazer. E não desistir cada vez que quebram a nossa confiança. É que, penso eu, há pessoas que têm de percorrer um caminho mais longo do que outras.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Seguir em frente (com autismo)
As pessoas mudam a cada dia e desde que comecei este blog... sou outra pessoa, alguém irreconhecível aos olhos de quem me conhecesse, ou lesse, há três anos atrás. Sobretudo porque o tempo não vem sozinho, o tempo trás tudo com ele, traz conflitos, aborrecimentos, rompantes, roturas, prémios, surpresas. Mudamos. Mas é uma mudança relativa, porque realmente não o é, é antes um reajuste das características intrínsecas da nossa personalidade. Mas adiante.
Quando o S. foi diagnosticado com uma Perturbação do Espectro do Autismo sem outra Especificação, no CADIn, em Junho de 2009, o primeiro sentimento foi de alívio. Quem já esteve na pele de pai ou mãe de uma criança que se suspeita ter problemas, à espera de respostas, sabe do que falo, para os restantes, explico que os pais sabem ou intuem desde cedo que alguma coisa está mal, só não sabem o que é, ou não têm a certeza, apesar das inúmeras opiniões que só ajudam a aumentar a ansiedade, mas que de utilidade, normalmente não têm muito.
Quando tivémos a certeza de que os comportamentos e dificuldades manifestados pelo S. tinham uma explicação, que não era problema nosso como pais, pudémos finalmente aceitar essa condição e começar finalmente a deitar mãos à obra, ou fazê-lo de uma forma mais consciente, segura e definida.
Quando o S. foi diagnosticado com uma Perturbação do Espectro do Autismo sem outra Especificação, no CADIn, em Junho de 2009, o primeiro sentimento foi de alívio. Quem já esteve na pele de pai ou mãe de uma criança que se suspeita ter problemas, à espera de respostas, sabe do que falo, para os restantes, explico que os pais sabem ou intuem desde cedo que alguma coisa está mal, só não sabem o que é, ou não têm a certeza, apesar das inúmeras opiniões que só ajudam a aumentar a ansiedade, mas que de utilidade, normalmente não têm muito.
Quando tivémos a certeza de que os comportamentos e dificuldades manifestados pelo S. tinham uma explicação, que não era problema nosso como pais, pudémos finalmente aceitar essa condição e começar finalmente a deitar mãos à obra, ou fazê-lo de uma forma mais consciente, segura e definida.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Super-Mães
Senão, vejamos. Levantar cedo, por volta das sete e meia, depois de ter acordado entre uma e três vezes durante a noite com a pirralha a querer mama... banho, vestir, cabelo, maquilhagem, beijos de bons dias, pequeno almoço, preparar almoço para levar, - se é que uma lata de sardinhas, uma fatia de pão caseiro e uma banana se pode chamar almoço - mudar a fralda e vestir a pirralha, indicar roupas aos pirralhos, correr para o trabalho, trabalhar sem pausa, correr para a reunião de pais do pirralho maior, correr para ir buscar o segundo pirralho e depois a pirralha. Casa. Lanches. Mama. Pôr a maquina da roupa a lavar. Chamadas importantes. Preparar roupas para amanhã, saco da natação. Trabalhos de casa. Passar a ferro. Preparar jantar. Dar banho à pirralha, e depois o jantar. Jantar. Mediar em birras e brigas. Perguntas. Respostas. Mimos. Beijos.
Este dia é dos calmos...
sábado, 25 de outubro de 2008
Caminho interior
Desde sempre existiram pessoas iluminadas, fora do contexto da sua sociedade contemporânea, que soltaram frases daquelas que parece que ninguém percebe, ou que não fazem sentido a não ser que tenhas fumado alguma substância alucinogéna antes. Coisas do tipo "faz amor e não a guerra", "Ninguém caiu tão baixo que não possa ser levantado pelo amor", "Mudar o mundo é fácil, basta mudar a nossa mentalidade"... Inocentes ou conscientes? Sábios ou totós?
Todos temos desde cedo a noção do bem e do mal, apesar de haver sempre discrepâncias quando se fala de valores segundo a educação e a experiência pessoal de cada um. Vamos moldando esses valores, e esses valores vão moldando a nossa existência, dando a impressão de que as circunstancias da nossa vida nos condicionam de forma inevitável a uma forma de pensar. Isto está confuso, sei que parece não haver relação entre uma coisa e outra. Pasteur disse uma vez que eram "infelizes os homens que têm todas as ideias claras". Isso lembra-me a teoria de que as pessoas que menos pensam nas coisas são mais felizes do que as outras. Verdade ou mentira? Senão vejamos: se eu passar a vida sem me preocupar demasiado com nada, sem me chatear com ninguém, sem me irritar quando algo corre mal, isso deve ser bom, isto é, aparentemente se nada me pode fazer infeliz, posso ser feliz. Será? E contentar-me apenas com o que vier, sem nunca desejar nada, sem sentir ambição, sem lutar por um sonho, sem sequer sonhar - porque quando sonhas e lutas por esse sonho, terás que suportar frustrações e desilusões, e ainda assim continuar em busca da realização desse sonho - sem emoção, sem tomar decisões, viver com resignação? Por outro lado, é possível sonhar, tomar decisões, questionar, e ainda assim aceitar de forma pacífica aquilo que a vida me proporciona? Em caso afirmativo, esta opção não roça de alguma forma o conformismo? Como podemos transformar o mundo conformando-nos simplesmente? Será essa a chave? Se todos nos conformarmos o mundo pode ser um sítio melhor? Até que ponto? Outra opção: Passar a vida inteira contestando, irritando-me e lutando freneticamente por um ou vários objectivos. Sim, aqui falo de objectivos porque desta forma é muito fácil esquecermo-nos dos sonhos, e substituí-los por objectivos. Deixamos de viver a busca do sonho, para passar a viver para a concretização do objectivo. Sem colher os pequenos frutos que nos vão aparecendo pela beira da estrada. Há que parar um pouco pelo caminho, de vez em quando, e repensar onde queremos chegar e porque queremos lá chegar. Olhar para a paisagem e desfrutar dos pores-do-sol. Estar atento aos sinais, porque no caminho encontramos muitos... é só preciso estar desperto. E aqui chegamos ao ponto fulcral. O despertar! Eu despertei não há mito tempo. Não sei bem como foi, nem sei se aconteceu de repente ou se foi acontecendo. Provavelmente ainda está a acontecer. O que está claro é que passei como que a perceber certas coisas como se tivessem uma outra dimensão. As palavras, que sempre acreditei serem uma ferramenta eficaz para me expressar e comunicar, revelam-se agora, por vezes, insuficientes e incorrectas nelas mesmas... confuso? Amor, amizade, solidariedade... são todas sinónimos de um mesmo conceito, mais amplo, mais profundo, no entanto. Confundem-se, completam-se mas nunca chegam a definir completamente o verdadeiro conceito a que se referem. Aprendi que para aprender e entender, não é necessário ser a pessoa mais inteligente do mundo. Basta sentir. Utilizamos os sentidos diariamente, mas raramente optimizamos o seu uso. Aprendi que não se pode descartar uma ideia, uma impressão, uma teoria, um sentimento, só porque a nossa razão não o consegue explicar. Porque esta é o mais adulterável de todos os sentidos que possuímos, e o que mais muda ao longo da nossa vida. Aprendi também que o medo é o pior veneno da alma, entorpece os sentidos, impede-nos de ver os sinais ou de confiar em que eles são reais. Sinto-me como se tivesse acabado de nascer, ainda com poucas ferramentas para poder entender o que tudo significa, mas com a clara noção de que algo mudou. Os meus valores mudaram, como se tivesse repensado as minhas prioridades. Não o fiz. Ressenti. A palavra não tem o significado que lhe estou a dar, eu sei. O que quero dizer, e é tão óbvio que parece ridículo que não haja uma palavra para o definir, e que tenha que usar tantas palavras para o explicar, é que senti uma alteração profunda na ordem daquilo que eu considero realmente importante.
Todos temos desde cedo a noção do bem e do mal, apesar de haver sempre discrepâncias quando se fala de valores segundo a educação e a experiência pessoal de cada um. Vamos moldando esses valores, e esses valores vão moldando a nossa existência, dando a impressão de que as circunstancias da nossa vida nos condicionam de forma inevitável a uma forma de pensar. Isto está confuso, sei que parece não haver relação entre uma coisa e outra. Pasteur disse uma vez que eram "infelizes os homens que têm todas as ideias claras". Isso lembra-me a teoria de que as pessoas que menos pensam nas coisas são mais felizes do que as outras. Verdade ou mentira? Senão vejamos: se eu passar a vida sem me preocupar demasiado com nada, sem me chatear com ninguém, sem me irritar quando algo corre mal, isso deve ser bom, isto é, aparentemente se nada me pode fazer infeliz, posso ser feliz. Será? E contentar-me apenas com o que vier, sem nunca desejar nada, sem sentir ambição, sem lutar por um sonho, sem sequer sonhar - porque quando sonhas e lutas por esse sonho, terás que suportar frustrações e desilusões, e ainda assim continuar em busca da realização desse sonho - sem emoção, sem tomar decisões, viver com resignação? Por outro lado, é possível sonhar, tomar decisões, questionar, e ainda assim aceitar de forma pacífica aquilo que a vida me proporciona? Em caso afirmativo, esta opção não roça de alguma forma o conformismo? Como podemos transformar o mundo conformando-nos simplesmente? Será essa a chave? Se todos nos conformarmos o mundo pode ser um sítio melhor? Até que ponto? Outra opção: Passar a vida inteira contestando, irritando-me e lutando freneticamente por um ou vários objectivos. Sim, aqui falo de objectivos porque desta forma é muito fácil esquecermo-nos dos sonhos, e substituí-los por objectivos. Deixamos de viver a busca do sonho, para passar a viver para a concretização do objectivo. Sem colher os pequenos frutos que nos vão aparecendo pela beira da estrada. Há que parar um pouco pelo caminho, de vez em quando, e repensar onde queremos chegar e porque queremos lá chegar. Olhar para a paisagem e desfrutar dos pores-do-sol. Estar atento aos sinais, porque no caminho encontramos muitos... é só preciso estar desperto. E aqui chegamos ao ponto fulcral. O despertar! Eu despertei não há mito tempo. Não sei bem como foi, nem sei se aconteceu de repente ou se foi acontecendo. Provavelmente ainda está a acontecer. O que está claro é que passei como que a perceber certas coisas como se tivessem uma outra dimensão. As palavras, que sempre acreditei serem uma ferramenta eficaz para me expressar e comunicar, revelam-se agora, por vezes, insuficientes e incorrectas nelas mesmas... confuso? Amor, amizade, solidariedade... são todas sinónimos de um mesmo conceito, mais amplo, mais profundo, no entanto. Confundem-se, completam-se mas nunca chegam a definir completamente o verdadeiro conceito a que se referem. Aprendi que para aprender e entender, não é necessário ser a pessoa mais inteligente do mundo. Basta sentir. Utilizamos os sentidos diariamente, mas raramente optimizamos o seu uso. Aprendi que não se pode descartar uma ideia, uma impressão, uma teoria, um sentimento, só porque a nossa razão não o consegue explicar. Porque esta é o mais adulterável de todos os sentidos que possuímos, e o que mais muda ao longo da nossa vida. Aprendi também que o medo é o pior veneno da alma, entorpece os sentidos, impede-nos de ver os sinais ou de confiar em que eles são reais. Sinto-me como se tivesse acabado de nascer, ainda com poucas ferramentas para poder entender o que tudo significa, mas com a clara noção de que algo mudou. Os meus valores mudaram, como se tivesse repensado as minhas prioridades. Não o fiz. Ressenti. A palavra não tem o significado que lhe estou a dar, eu sei. O que quero dizer, e é tão óbvio que parece ridículo que não haja uma palavra para o definir, e que tenha que usar tantas palavras para o explicar, é que senti uma alteração profunda na ordem daquilo que eu considero realmente importante.
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